terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Poda programada

Passei no barbeiro logo cedo, nesta terça-feira chuvosa, e mandei esfregar a máquina número dois no cocuruto inteiro. Quis preparar terreno, fazer uma ligeira poda nos fios cada vez mais brancos e escassos de minha cabeça, para facilitar o exame do couro cabeludo, já que amanhã, 25, no início da tarde, devo me submeter a um ‘procedimento’ que vai verificar se as lesões no topo do crânio são ou não o tipo de câncer mais agressivo que se conhece, o melanoma.

 

Claro que torço para que sejam apenas queratoses, que costumam manifestar-se em idosos que não dão a devida atenção aos perigos da exposição ao sol, principalmente numa fase da vida em que os fios de cabelo vão perdendo a melanina. Mas que não deixam de ser sinais de alerta, porque podem transformar-se em câncer de pele se não cuidadas com rapidez.

 

Acabei virando freguês do Cepon, o Centro de Pesquisas Oncológicas de Santa Catarina. Passei por vinte sessões de radioterapia, para combater uma recidiva bioquímica do câncer de próstata, e devo retornar no dia 2 de março com a médica especialista em urologia oncológica, doutora Maria Eduarda, levando o resultado do exame de PSA e testosterona, para saber se consegui conter a volta da doença. Pensei que estava livre dela depois de me submeter a uma cirurgia para retirada da próstata em outubro de 2017. Doce ilusão, como se vê.

 

Depois desse ‘procedimento’ de amanhã, devo voltar à dermatologista, doutora Vanessa, para saber o que a biopsia detectou nos fragmentos das pintas que apareceram no couro cabeludo. Já passei por ansiedade semelhante antes, e espero que desta vez também seja uma preocupação sem motivo.

 

Enquanto isso, e torcendo para que os carcinomas se afastem de mim, continuo esperando que meu último livro, NAVIO FANTASMA, desencalhe na Amazon. 

Um comentário:

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