domingo, 19 de abril de 2026

Vida de repórter-4

 

O fotógrafo abre-alas

Tínhamos na redação da revista Agora! (Editora Três, 1984-1985) um fotógrafo (cujo nome não vou citar) que usava uma artimanha, uma espécie de jogo de palavras, para franquear nossa entrada em locais onde normalmente a imprensa não era bem-vinda, especialmente prontos-socorros e hospitais: ele dizia ao desavisado recepcionista que tínhamos passado por determinado órgão policial e, aparentemente, teríamos nossa entrada liberada pela autoridade.

“Nós viemos do Deic”, por exemplo, “e queríamos conversar com o rapaz baleado”, era a senha para facilitar nosso acesso. Ele não dizia “nós somos”, mas “nós viemos”, o que para um funcionário com pouco estudo poderia não ter diferença alguma. Ao dizer que nós ‘viemos’, ele poderia alegar, caso fosse desmascarado, que não mentira, porque em momento algum dissera ‘ser’ policial. Nós não tínhamos exatamente passado pelo Deic, mas essa era uma inverdade menor e menos passível de castigo.

A realidade é que isso funcionava. O atendente provavelmente achava que éramos policiais, não pedia identificação e liberava nossa entrada para conversar com o rapaz baleado, ou outro desgraçado qualquer que estivesse por ali sucumbindo às sequelas da vida torta. Não me lembro de ter encontrado obstáculos para entrar onde quer que quiséssemos.

Mas uma vez a história não rolou exatamente como queríamos que rolasse... 

Foi em Mauá, região do ABC paulista. Um pequeno sorveteiro de nove anos havia sido vítima de tentativa de castração e estava internado no hospital local. Os bandidos o confundiram com outro garoto e tentaram retirar-lhe os bagos sem anestesia ou procedimentos cirúrgicos adequados. Nossa missão, para a revista, era fotografar e conversar com o menino.

Passamos pela delegacia, pegamos algumas informações e partimos para o, como se dizia antigamente, nosocômio. O fotógrafo escondeu a câmera às costas, prendendo-a com a alça de ombro a ombro e vestindo sua jaqueta por cima. No elevador, ficamos sabendo por uma faxineira que a ala pediátrica era no terceiro andar. Na saída do elevador, no terceiro andar, fomos abordados por uma enfermeira. “Nós viemos da delegacia, estivemos com o doutor... (não me lembro do nome do delegado da ocasião), e queremos ver o garoto que foi castrado”, adiantou-se meu parceiro.

Uma coincidência nos ajudou nesse caso: havia um médico no hospital com o mesmo nome do delegado, e a enfermeira entendeu que tínhamos falado com ele, o médico. Por isso, não opôs resistência a nossa entrada na enfermaria. Abriu a porta, mostrou o garoto – que estava deitado logo na primeira cama, junto à porta – eu perguntei-lhe o que lhe fizeram, o pequeno sorveteiro saltou do colchão e baixou o pijama para mostrar o porta-culhões avariado. 

Nesse momento, o fotógrafo tirou a jaqueta, sacou a câmera das costas e bateu uma chapa (ainda não havia fotografia digital). Quase imediatamente, caiu a ficha e a enfermeira entendeu o moral da história... Poderia parar tudo por aí, sermos expulsos do hospital e termos umas lembranças divertidas a contar aos nossos netos... Mas a enfermeira chamou o diretor do hospital, e antes que tentássemos justificar as ousadias que pareciam acompanhar cada repórter policial, estávamos diante de um oriental baixinho, de caneta em riste, que anotou os dados do fotógrafo, enquanto determinava que a polícia fosse chamada.

A essa altura, o filme já havia sido retirado da câmera e eu já o havia levado para o carro. Quando estávamos deixando o estacionamento, uma viatura da PM estava entrando. 

Em resumo: depois de ouvirmos muito “isso não vai dar em nada”, “hospital não é domicílio” e “eles vão acabar deixando pra lá”, fomos processados e condenados por invasão de domicílio, com pena confirmada em segunda instância. Nossa sorte foi a primariedade, que nos garantiu sursis, porque, embora abrisse algumas portas, a artimanha do fotógrafo não nos tornava inimputáveis!


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Vida de repórter-3

 

Velório de risco

Quando mataram o então presidente da torcida Mancha Verde, do Palmeiras, Cleofas Sostenes Dantas da Silva, em outubro de 1988, eu trabalhava na saudosa Folha da Tarde e fui incumbido pelo chefe Chico Lang de cobrir o velório e escrever uma matéria “para fazer o pessoal chorar”. Não era tarefa fácil. Para fazer o pessoal chorar não tinha mistério. O problema era a cobertura. O enterro de qualquer pessoa morta com violência não oferece um ambiente propício à presença de repórteres. O que esperar se o morto era presidente de uma das torcidas mais violentas do futebol paulista? 

Para quem não sabe, ou não se lembra, Cleo entrou para a história da Mancha porque frustrou a torcida corintiana ao aceitar e incorporar o apelido “Porco”, que havia sido atribuído aos palmeirenses pouco antes. E não há nada mais decepcionante para quem apelida alguém do que esse alguém levar o pejorativo na boa e adotá-lo. Cleo oficializou essa adoção entrando em campo com um porquinho verde antes de um jogo do time.

Embora uma coisa nada tenha a ver com a outra, no dia 17 de outubro ele levou três tiros em plena rua Padre Antônio Tomás, diante da sede da Mancha Verde, a poucos metros do Parque Antártica. Mas, voltando ao velório, senti de cara que meus temores eram justificados: não havia sequer um carro de reportagem na rua e não vi nenhum coleguinha rondando pelas imediações ou mesmo dentro do velório do Cemitério do Araçá. Eu estava por mim.

Tinha de contar com minha intuição, minha sorte e, principalmente, minha humildade se quisesse sair de lá com um texto na mão (e em condições físicas de escrevê-lo). Mas até que não foi tão difícil: depois de procurar entre dezenas de jovens enormes – parece que a compleição física é quesito essencial para se entrar numa organizada – descobri um que, apesar de forte (de modo que eu poderia me esconder atrás dele se algo acontecesse), não trazia sangue no olhar. Ao contrário, parecia ter os olhos calmos de quem está ali para prestar solidariedade. Parecia ser a pessoa ideal para me ancorar durante a missão.

Apresentei-me: “Antes de tudo, sou palmeirense. Mas, além disso, sou repórter e estou aqui para acompanhar o enterro e preciso de alguém que me ajude, antes que o pessoal me ponha para correr”. Compreensivo, embora sem entusiasmo com a situação, ele se apresentou como “Batuíra”. Ficamos conversando discretamente durante boa parte do velório. Outros integrantes da torcida vieram juntar-se a nós e, dali a pouco, embora sempre houvesse um ou outro olhar enviesado, eu já me considerava membro honorário da Mancha Verde.

Acompanhei o cortejo até a boca do túmulo, acompanhei o pessoal da torcida cantando o hino do Palmeiras e o presidente do clube, Nélson Duque, finalizando, aos prantos, com um “e dál-lhe Porco, e dá-lhe Porco...”. No dia seguinte, encontrei alguns dos meus novos amigos que foram depor no 23º Distrito Policial (Perdizes), responsável por apurar a autoria do crime, e um deles, louro de cabelos compridos, confessou ter “chorado muito” ao ler “tudo o que você escreveu”. 

Missão cumprida, pois. Além de cumprida, única: eles me garantiram – e hoje algum colega até pode contestar isso – que eu fui o único repórter a acompanhar o velório e o sepultamento de Cleo Sostenes.

domingo, 5 de abril de 2026

Vida de repórter-2

O dia em que virei refém

Faltavam quinze minutos para as sete no dia 12 de novembro de 1979 – quinze minutos para encerrar meu horário de trabalho como repórter da Agência Folhas – quando o chefe de reportagem José Flávio Ferreira, já falecido, veio avisar de uma rebelião, com reféns, no Presídio do Hipódromo. Parecia coisa grande. E, mesmo contrariado por ter sido pego quase indo embora, tive de encarar a encrenca.

Começamos mal: o motorista do jornal entendeu que a revolta era no Hipódromo – talvez os cavalos recusassem-se a sair das baias, vai saber – e só corrigimos a rota quando já estávamos atravessando a ponte de Vila Guilherme. O presídio ficava na rua do Hipódromo, uma extensa e circundante via que sai dos baixos do viaduto Bresser e chega à Rangel Pestana, no Brás.

Por causa desse erro de trajeto, chegamos ao destino depois que um segundo repórter da Agência – meu amigo José Luiz Lima, também já falecido – já estava na sala da direção, acompanhando a conversa de Pardal, um dos líderes do motim, com o juiz corregedor Renato Laércio Talli. As negociações para o fim da revolta estavam encaminhadas e os detentos queriam apenas a presença de jornalistas, lá dentro, para mostrar que suas denúncias sobre as péssimas condições carcerárias tinham fundamento.

Pardal começou a nominar os veículos de imprensa que queria que vistoriassem as dependências da cadeia, e ia passando batido pelo nome da Folha, até que eu fizesse a sugestão, quase na base do grito, e conseguisse passe livre para acompanhar a visita. Faziam parte dos escolhidos, também, o Jornal da Tarde e a Jovem Pan.

Meu amigo Zé Luiz olhou para mim, meio incrédulo: “Você tem coragem de entrar aí?!”

Por que não? Eu tinha 23 anos. Que mal pode acontecer a um repórter de 23 anos?

Pelo JT, entrou Percival de Souza; pela Pan, Narciso James (também falecido). Um grupo já havia entrado antes de nós, mas não sei quem eram os integrantes. Só me encontrei com um deles – Carlos Nascimento, da Globo – que estava saindo ao mesmo tempo em que entrávamos. Com a saída do ‘Fubá’, os detentos permitiram a entrada de mais um jornalista: Afanásio Jazadji, pela Rádio Globo – é bom frisar que isso aconteceu antes de ele se tornar persona non grata da bandidagem, ao estrear um programa na rádio que costumava confrontar os criminosos.

No térreo da carceragem, o retrato do caos! Máquina de escrever e papéis espalhados pelo chão, vidros e cadeiras quebrados, vitrinas da farmácia arrebentados, extintores de incêndio arremessados contra as paredes, amotinados bebendo éter diretamente do frasco e, a um canto, um preso que, segundo os rebelados, estava havia dois dias com uma bala no corpo, sem atendimento médico.

O interesse deles era nos mostrar o descaso com que eram tratados: a comida péssima, estragada; os presos em trânsito esquecidos ali dentro; a falta de atendimento médico e odontológico; os espancamentos; os presos condenados também esquecidos. (Pela condição de presídio, só poderiam estar ali, legalmente, detentos em trânsito ou sem condenação; para os condenados, com pena a cumprir, existem as penitenciárias.)

As queixas foram se repetindo enquanto subíamos pelas escadas aos dois pavimentos superiores, até a sala onde estavam custodiados os reféns – funcionários da prisão e familiares de presos que estavam em visita. Eles estavam à vontade, dizendo-se bem tratados pelos ‘carcereiros’.

Depois do roteiro, cumprida nossa missão de vistoriar a bagunça, e já próximos do portão de saída, algum desavisado lançou uma bomba de gás lacrimogêneo pela janela do primeiro andar e a situação, até então tranquila, fugiu do controle. De repórteres, passamos para o time dos reféns. Os presos começaram a quebrar móveis e amontoar a madeira na frente do portão, para tocar fogo. Subiam nas grades e gritavam em direção à sala da diretoria que iriam matar os reféns e os jornalistas, que iriam fechar com sangue a história do motim.

A nós, pouco restava a fazer. Percival encolheu-se junto ao portão. Afanásio e eu tentamos convencer os detentos de que seria um erro terminar a rebelião da pior forma possível. Eu, que já conhecia o ‘Sabugo’ de alguns plantões de fim de semana na Agência Folhas, fiquei conhecendo sua conversa sensata, sua capacidade de ponderar, de aconselhar, de mediar. Foi praticamente graças a ele que os líderes Pardal e Renatão foram convencidos, e convenceram os demais, a encerrar a revolta naquele instante, sem maiores represálias.

Enquanto esperávamos os portões serem abertos para a liberdade – a nossa – os líderes conseguiram para mim um cigarro e uma cadeira (intacta) para sentar, porque eu estava exausto.

Virei uma pequena celebridade na saída. Do lado de fora, fui entrevistado por Luísa Borges, da Rádio Tupi, e por um repórter da TV Cultura (Helvídio, acho). Helena de Gramont quase me entrevistou, pela Globo, mas achando que eu era familiar de preso. Durante as entrevistas, ouvi um grito de alívio de outra colega da Agência, Dora Maria Tavares de Lima (que hoje se assina Kramer), por me ver a salvo.

No dia seguinte, fui chamado à redação do Folhão pelo chefe de reportagem, Adílson Laranjeira, que me pediu um texto exclusivo sobre a ‘aventura’ atrás das grades (o que aparece na print).

O medo por que passei em meio de uma rebelião de presos acabou tendo um lado positivo: Adílson me convidou a trocar de redação e, a partir de 1º de dezembro, passei a ser repórter da editoria Local (hoje Cotidiano) da Folha de S. Paulo. Fiquei lá até junho de 1981, quando todos os repórteres do Folhão foram transferidos para a Agência Folhas de Notícias

 

domingo, 29 de março de 2026

Vida de repórter-1

 A partir de hoje, e nos próximos domingos, vou disponibilizar neste blog historinhas dos tempos em que trabalhei como repórter. A maior parte dessas histórias foi publicada pelo semanário 'Jornalistas&Cia', de acesso restrito a assinantes. Publicando-as aqui, democratizo o acesso. Espero que gostem!



Luzes, câmera, ação

Esta aqui aconteceu em meu início de carreira, e é bem de foca, mesmo!

 Quando comecei a fazer re­portagem policial na Folha de S.Paulo, em 1977, o 3º DP ficava na rua Vitorino Carmilo, nos Cam­pos Elísios. Era só seguir a Barão de Limeira até o final, entrar à esquerda na Lopes de Oliveira e em seguida na segunda rua à direita. Foi nessa delegacia o meu début na reportagem, onde fiz a matéria que serviu de teste para que o chefe Hely Vanini de Araújo me aceitasse em sua equipe de feras.

 Pois bem. Não foi muito depois desse meu voo inaugural que voltei ao 3º Distrito para cobrir um novo caso, não me lembro qual – afinal, isso foi há 39 anos!

 No térreo do prédio, à esquerda de quem entra, havia uma espécie de cercadinho, feito com balaús­tres de madeira torneada, onde ficava a mesa do delegado de plantão. Entrei, o delegado estava sozinho na mesa, achei-o com cara conhecida e me aproximei:

 – Boa tarde, doutor, sem querer atrapalhar os trabalhos, gostaria de ter informações sobre essa prisão de hoje...

 O delegado mal relanceou os olhos sobre mim, como se eu se­quer estivesse lá, e voltou a olhar para o ponto onde estava olhando antes que eu me aproximasse. Estranhei o comportamento dele, mas estranhei ainda mais quando uma voz soou atrás de mim:

 – Ô, companheiro, dá licença aí que a gente está filmando!

 Olhei para a origem da voz e me deparei com um aparato que certamente não deixaria de ter visto se não entrasse olhando diretamente para o cercadinho do plantão: três ou quatro rapazes, dois grandes refletores e uma câmera cinematográfica de 35 mm. Numa cadeira ao lado do grupo, literalmente refestelado e com ar blasé, o ator José Lewgoy.

 Só então caiu a ficha – se bem que na época não se usava a ex­pressão “cair a ficha” – e descobri por que o delegado me pareceu conhecido: era o ator David Neto, que na época tinha certa evidên­cia nas novelas da tevê. Por isso não me deu a mínima quando o interpelei: porque era um delega­do de ficção, personagem de um filme que só identifiquei pouco depois, quando o “ator”’ principal entrou em cena – o repórter de rádio Gil Gomes.

 Resumindo, por pouco não fiz inadvertidamente uma participa­ção especial no filme ‘O outro lado do crime’, lançado em 1978.

 Não vi o filme. Só sei que tratava da história de um marido que arrumou uma amante e que, falido depois de dar tudo para ela, começou a arquitetar a morte da esposa para receber o seguro, sendo desmascarado por um repórter mais esperto do que ele.

 E certamente mais esperto também do que este repórter aqui...




sexta-feira, 13 de março de 2026

Saúde equacionada, livro em marcha

 

Escrevi outro dia que estava esperando resolver alguns percalços de saúde para finalmente começar a botar no papel meu próximo livro – o sétimo, ainda sem nome. Pois bem: acho que cabe, então, atualizar as informações:

 

1 – Sobre a lesão no couro cabeludo, que eu morria de medo de ser um melanoma, provou após uma biopsia ser apenas uma ceratose seborreica, algo inofensivo, mas que lembra a necessidade de nós idosos protegermos a calota craniana dos malefícios do sol. Resumindo: não saio mais de casa sem um boné!

 

2 – Sobre a recidiva bioquímica do câncer de próstata, o PSA baixou bastante depois da radioterapia, mas isso não garante a cura. Como disse a doutora Maria Eduarda, médica do Cepon, se o câncer voltou, mesmo após uma prostatectomia radical, nada impede que ele reapareça outra vez depois do tratamento radioterápico. Por isso, o controle trimestral é necessário.

 

Agora, com os medos devidamente equacionados, devo finalmente dar início à escrita do livro, cujas ideias básicas da história ficam pululando na minha mente.

 

Enquanto isso, continuo apelando aos queridos leitores que comprem minha última obra, o NAVIO FANTASMA, que está disponível na Amazon e no Clube de Autores.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Poda programada

Passei no barbeiro logo cedo, nesta terça-feira chuvosa, e mandei esfregar a máquina número dois no cocuruto inteiro. Quis preparar terreno, fazer uma ligeira poda nos fios cada vez mais brancos e escassos de minha cabeça, para facilitar o exame do couro cabeludo, já que amanhã, 25, no início da tarde, devo me submeter a um ‘procedimento’ que vai verificar se as lesões no topo do crânio são ou não o tipo de câncer mais agressivo que se conhece, o melanoma.

 

Claro que torço para que sejam apenas queratoses, que costumam manifestar-se em idosos que não dão a devida atenção aos perigos da exposição ao sol, principalmente numa fase da vida em que os fios de cabelo vão perdendo a melanina. Mas que não deixam de ser sinais de alerta, porque podem transformar-se em câncer de pele se não cuidadas com rapidez.

 

Acabei virando freguês do Cepon, o Centro de Pesquisas Oncológicas de Santa Catarina. Passei por vinte sessões de radioterapia, para combater uma recidiva bioquímica do câncer de próstata, e devo retornar no dia 2 de março com a médica especialista em urologia oncológica, doutora Maria Eduarda, levando o resultado do exame de PSA e testosterona, para saber se consegui conter a volta da doença. Pensei que estava livre dela depois de me submeter a uma cirurgia para retirada da próstata em outubro de 2017. Doce ilusão, como se vê.

 

Depois desse ‘procedimento’ de amanhã, devo voltar à dermatologista, doutora Vanessa, para saber o que a biopsia detectou nos fragmentos das pintas que apareceram no couro cabeludo. Já passei por ansiedade semelhante antes, e espero que desta vez também seja uma preocupação sem motivo.

 

Enquanto isso, e torcendo para que os carcinomas se afastem de mim, continuo esperando que meu último livro, NAVIO FANTASMA, desencalhe na Amazon. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Atualização de saúde

 

Já devia ter começado a escrever o novo livro. Ainda não escolhi o nome, mas já tenho a linha narrativa totalmente delineada na cabeça.

 

E então por que ainda não comecei?

 

Pequenas questões de saúde, eu diria! Primeiro, porque, logo após o lançamento do NAVIO FANTASMA, entrei em tratamento de radioterapia, para combater uma recidiva bioquímica do câncer de próstata, que eu julgava ter vencido em outubro de 2017. E então eu combinei comigo mesmo que começaria a colocar o livro no papel após terminar o tratamento.

 

Minhas sessões terminaram em 10 de dezembro. Mas aí, sabe como é, o Natal estava próximo, o fim do ano apontava logo ali na esquina, o réveillon exigia alguns preparativos etc... Que tal deixar para o começo do ano? Principalmente porque, ainda antes do Natal, no dia 23, eu teria uma consulta para saber os próximos passos após o tratamento radioterápico.

 

A tal consulta acabou não acontecendo, e foi remarcada para 21 de janeiro. Nessa consulta, já em 2026, foram pedidos exames de PSA e testosterona e marcado retorno em 2 de março, para avaliar se a radioterapia surtiu o efeito desejado. Não quero parecer pessimista, mas quem garante que as vinte sessões debaixo da máquina conseguiram conter – e, melhor ainda, reverter – o crescimento do PSA? Em 2 de março devo ter uma posição a respeito. E aí, sim, começar a escrever.

 

Mas, nesse meio tempo, após cortar o cabelo, descobri lesões no couro cabeludo que, torço muito para que não sejam, apresentam características de melanoma – que, como todos sabemos, é a forma mais agressiva, e fatal, do câncer de pele. Meu pai morreu as 57 anos em consequência de um melanoma.

 

Consegui uma consulta meio de urgência no próprio Cepon e a dermatologista marcou para 25 de fevereiro o procedimento para coleta de material, para efetuar a biopsia. Minha sorte depende do que essa análise revelar.

 

E aí, sim, estarei apto – espero! – a iniciar a nova saga de meu personagem mais querido, o ex-policial Marlowe.

 

Enquanto isso, o livro NAVIO FANTASMA continua à disposição na Amazon e no site do  Clube de Autores.


Vida de repórter-4

  O fotógrafo abre-alas Tínhamos na redação da revista Agora! (Editora Três, 1984-1985) um fotógrafo (cujo nome não vou citar) que usava uma...