domingo, 29 de março de 2026

Vida de repórter-1

 A partir de hoje, e nos próximos domingos, vou disponibilizar neste blog historinhas dos tempos em que trabalhei como repórter. A maior parte dessas histórias foi publicada pelo semanário 'Jornalistas&Cia', de acesso restrito a assinantes. Publicando-as aqui, democratizo o acesso. Espero que gostem!



Luzes, câmera, ação

Esta aqui aconteceu em meu início de carreira, e é bem de foca, mesmo!

 Quando comecei a fazer re­portagem policial na Folha de S.Paulo, em 1977, o 3º DP ficava na rua Vitorino Carmilo, nos Cam­pos Elísios. Era só seguir a Barão de Limeira até o final, entrar à esquerda na Lopes de Oliveira e em seguida na segunda rua à direita. Foi nessa delegacia o meu début na reportagem, onde fiz a matéria que serviu de teste para que o chefe Hely Vanini de Araújo me aceitasse em sua equipe de feras.

 Pois bem. Não foi muito depois desse meu voo inaugural que voltei ao 3º Distrito para cobrir um novo caso, não me lembro qual – afinal, isso foi há 39 anos!

 No térreo do prédio, à esquerda de quem entra, havia uma espécie de cercadinho, feito com balaús­tres de madeira torneada, onde ficava a mesa do delegado de plantão. Entrei, o delegado estava sozinho na mesa, achei-o com cara conhecida e me aproximei:

 – Boa tarde, doutor, sem querer atrapalhar os trabalhos, gostaria de ter informações sobre essa prisão de hoje...

 O delegado mal relanceou os olhos sobre mim, como se eu se­quer estivesse lá, e voltou a olhar para o ponto onde estava olhando antes que eu me aproximasse. Estranhei o comportamento dele, mas estranhei ainda mais quando uma voz soou atrás de mim:

 – Ô, companheiro, dá licença aí que a gente está filmando!

 Olhei para a origem da voz e me deparei com um aparato que certamente não deixaria de ter visto se não entrasse olhando diretamente para o cercadinho do plantão: três ou quatro rapazes, dois grandes refletores e uma câmera cinematográfica de 35 mm. Numa cadeira ao lado do grupo, literalmente refestelado e com ar blasé, o ator José Lewgoy.

 Só então caiu a ficha – se bem que na época não se usava a ex­pressão “cair a ficha” – e descobri por que o delegado me pareceu conhecido: era o ator David Neto, que na época tinha certa evidên­cia nas novelas da tevê. Por isso não me deu a mínima quando o interpelei: porque era um delega­do de ficção, personagem de um filme que só identifiquei pouco depois, quando o “ator”’ principal entrou em cena – o repórter de rádio Gil Gomes.

 Resumindo, por pouco não fiz inadvertidamente uma participa­ção especial no filme ‘O outro lado do crime’, lançado em 1978.

 Não vi o filme. Só sei que tratava da história de um marido que arrumou uma amante e que, falido depois de dar tudo para ela, começou a arquitetar a morte da esposa para receber o seguro, sendo desmascarado por um repórter mais esperto do que ele.

 E certamente mais esperto também do que este repórter aqui...




sexta-feira, 13 de março de 2026

Saúde equacionada, livro em marcha

 

Escrevi outro dia que estava esperando resolver alguns percalços de saúde para finalmente começar a botar no papel meu próximo livro – o sétimo, ainda sem nome. Pois bem: acho que cabe, então, atualizar as informações:

 

1 – Sobre a lesão no couro cabeludo, que eu morria de medo de ser um melanoma, provou após uma biopsia ser apenas uma ceratose seborreica, algo inofensivo, mas que lembra a necessidade de nós idosos protegermos a calota craniana dos malefícios do sol. Resumindo: não saio mais de casa sem um boné!

 

2 – Sobre a recidiva bioquímica do câncer de próstata, o PSA baixou bastante depois da radioterapia, mas isso não garante a cura. Como disse a doutora Maria Eduarda, médica do Cepon, se o câncer voltou, mesmo após uma prostatectomia radical, nada impede que ele reapareça outra vez depois do tratamento radioterápico. Por isso, o controle trimestral é necessário.

 

Agora, com os medos devidamente equacionados, devo finalmente dar início à escrita do livro, cujas ideias básicas da história ficam pululando na minha mente.

 

Enquanto isso, continuo apelando aos queridos leitores que comprem minha última obra, o NAVIO FANTASMA, que está disponível na Amazon e no Clube de Autores.

Vida de repórter-5

Jornalismo off-line No aniversário de 20 anos do advento da internet, a Folha incumbiu o repórter Bruno Fávero de fazer matéria como se faz...